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2 de nov de 2013

Uma fórmula para descobrir relações amorosas no facebook

O gigantesco manancial de dados sobre milhões de pessoas que o Facebook guarda nos seus servidores tem sido usado frequentemente por cientistas para perceberem todo o tipo de aspectos sobre o relacionamento humano artigo científico, publicado no repositório online ArXiv.

Agora, um engenheiro do Facebook, Lars Backstrom, e um académico da Universidade de Cornell, Jon Kleinberg, ambos dos EUA, desenvolveram um método para identificar automaticamente o parceiro romântico de um utilizador analisando as respectivas redes de “amigos”. Os resultados foram divulgados num

Um dos factores tipicamente usados para identificar as pessoas mais importantes na rede social de alguém é o número de pessoas em comum. Quando mais pessoas em comum tiverem dois indivíduos, mais forte tende a ser a relação.

Os dois autores do artigo, porém, descrevem um outro método que, argumentam, pode ajudar a compreender a estrutura das redes sociais, identificar as pessoas mais relevantes para alguém e ter aplicações práticas: por exemplo, determinar quais os utilizadores cujo conteúdo é mais interessante para uma determinada pessoa. No Facebook, o trabalho de Backstrom é precisamente melhorar a qualidade do feed de notícias, ou seja, a lista de conteúdos que é apresentada na página principal a cada utilizador e que é elaborada por algoritmos, tendo em conta factores como o género de conteúdos e as pessoas com quem se interage.

Backstrom e Kleinberg consideram que o número de pessoas em comum “é uma forma comparativamente fraca de caracterizar relações românticas”. Em vez disso, propõem o conceito de dispersão, que é medido pelo número de amigos comuns que, por sua vez, não estão relacionados entre si. Quanto menos relacionados estiverem os amigos em comum, maior é a dispersão.

Os investigadores chegaram a uma conclusão: aquela pessoa cujos amigos comuns com outra tinham menos ligações entre si (isto é, a pessoa com a pontuação mais alta de dispersão) tendia a ser o parceiro romântico. No caso dos utilizadores do Facebook que se declaravam casados, a identificação foi correcta 60,7% das vezes (aleatoriamente, as possibilidades de acertar são muito mais diminutas; por exemplo, de 2% no caso das pessoas com apenas 50 amigos, o mínimo incluído na amostra). Os investigadores notaram ainda que as relações em que a pontuação de dispersão do parceiro é menor tendem a durar menos tempo. 

O recurso ao conceito de dispersão, no entanto, parece ser mais eficaz quanto mais sólida for a relação, pelo menos do ponto de vista formal. Para os utilizadores que declaravam apenas estar numa relação (em vez de “casados” ou “noivos”) a identificação correcta do parceiro caiu para os 34,4%. Nestes casos, notam os investigadores, o número de vezes que alguém vê o perfil de outro pode ser uma métrica mais fiável, o que é um indicador de que as pessoas casadas tendem a ver menos vezes o perfil dos cônjuges do que aquelas que estão noutro tipo de relacionamento (outros indicadores de um possível relacionamento são o número de vezes em que duas pessoas aparecem juntas numa foto, trocam mensagens ou vão ao mesmo evento, tudo elementos que o Facebook regista).

Os resultados mostram ainda que os familiares de um utilizador também tendem a ter uma pontuação de dispersão elevada.

O Facebook não precisa de algoritmos para saber quem é o parceiro de alguém. Em muitos casos (e como em relação a muitos outros aspectos das respectivas vidas) os utilizadores indicam-no voluntariamente. Mas a fórmula desenvolvida por Backstrom e Kleinberg abre portas para a identificação de pessoas que sejam importantes nas relações de alguém e que não se encaixem nos grupos tradicionais que o Facebook contempla.

A análise foi feita em duas amostras. A maior delas integrava 1,3 milhões de utilizadores do Facebook com mais de 20 anos e com 50 a 2000 amigos, o que significa redes de amigos que totalizam cerca de 379 milhões de indivíduos e 8600 milhões de ligações entre eles. Os resultados foram semelhantes nas duas amostras. De acordo com os autores, todos os dados foram usados de forma anónima.
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