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9 de fev de 2016

Microsoft coloca data center embaixo d’água para não pagar ar-condicionado


Quando o seu smatphone ou laptop ficam quentes, você sabe que ele está processando uma boa quantidade de informações. Se esse calor já é suficiente para gerar um incômodo para você, imagina a quantidade de calor gerado por servidores que armazenam e processam informações do mundo todo, como os do Facebook e do Google. 
Para não pagar uma conta de energia elétrica monstruosa com ar-condicionado, grandes empresas costumam instalar seus data centers em países gelados, como a Suécia.Mas a Microsoft está desenvolvendo uma ideia que promete aliviar este problema. O Projeto Natick acaba de ser anunciado, e promete ter um custo baixo e ser ambientalmente correto. Nele, os servidores devem ser instalados no fundo do mar, onde a temperatura é baixa. 
Uma equipe da empresa começou a pensar nesta possibilidade em 2013, com a ajuda de um funcionário que tinha experiência em submarinos da marinha dos Estados Unidos. Um protótipo foi criado em 2014, e em agosto de 2015 a Microsoft mergulhou seu primeiro servidor.
A cápsula cilíndrica tem base com dois metros e meio de diâmetro e foi colocada a um quilômetro da costa da Califórnia. Ela funcionou por 105 dias, e deixou a equipe otimista com a nova possibilidade. 
“Quando ouvi falar nisso pela primeira vez, pensei: ‘água, eletricidade… porque você faria isso?’”, lembra o designer Ben Cutler, que trabalhou no projeto. “Mas quanto mais você pensa no assunto, mais sentido ele faz”, complementa. 
Além de manter o data center gelado, a ideia tem outras vantagens: metade da população mundial vive na costa de seus países. Além disso, essas cápsulas podem ser produzidas em três meses muito mais rápido que os dois anos necessários para construir uma estrutura em solo firme. Outra vantagem é que, no futuro, esses servidores podem se manter funcionando com a energia captada por turbinas submersas.
A dificuldade está no acesso difícil caso uma manutenção seja necessária. Por isso, o plano é que esses sistemas possam passar anos sem precisar de manutenção.“Vemos nisso uma oportunidade de data centers de vida longa que possam operar em lights out – sem ninguém no local – com uma boa confiabilidade por todo o período em que está submerso, possivelmente por até 10 anos”, afirma a Microsoft. 
Leona Philpot 
O protótipo foi chamado de Leona Philpot em homenagem ao personagem do jogo Halo, e contém apenas um computador dentro de um contêiner pressurizado e preenchido com nitrogênio.
Mais de cem sensores foram usados para monitorar as condições internas e externas ao redor da cápsula. Assim, os engenheiros da Microsoft podiam acompanhar as condições como umidade, pressão e movimentação. Os sensores também mediram o impacto no meio ambiente. Foi constatado que o calor liberado pelo equipamento aqueceu apenas a água que estava imediatamente ao redor da cápsula, sem perturbar a vida marinha do local. 
O projeto ainda está no início, mas a Microsoft acredita que este é o momento para começar a repensar os data centers, já que o armazenamento em nuvem tem crescido. O próximo passo da empresa é submergir uma cápsula com três vezes o tamanho do Leona Philpot em 2017.
[The New York TimesProjeto Natick]
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